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Margens

Margens: Entre o Artístico e o Social / Um Projecto de Empatias

MARGENS: Entre o Artístico e o Social | Um Projecto de Empatias é um projecto de inclusão social através das linguagens artísticas financiado pelo programa PARTIS (Práticas Artísticas para a Inclusão Social), da Fundação Calouste Gulbenkian, também apoiado pelo Gabinete Lisboa Encruzilhada de Mundos (GLEM) / Câmara Municipal de Lisboa, além de outras entidades públicas e privadas. Foi concebido pela Academia de Produtores Culturais / Festival TODOS em estreita colaboração com o Albergue Noturno de São Bento (Lisboa).

Directa e indirectamente, lida com cerca de quatro dezenas de participantes com idades compreendidas entre os 20 e os 50 anos oriundos de Angola, Marrocos, Portugal e Brasil, de entre outras proveniências geográficas.

O Projecto Margens surge da vontade de continuar o trabalho iniciado em 2013 durante o Festival TODOS com um grupo de pessoas que deambula pela cidade durante o dia e que, à noite, se recolhe no Albergue Noturno de São Bento. Nessa altura, a proposta consistiu na criação de um estúdio fotográfico desenvolvido pelo fotógrafo Luís Pavão e numa galeria fotográfica itinerante. Num universo de 55 pessoas, aceitaram o convite 41. E da retracção inicial, passou-se gradualmente a uma abertura, a uma confiança mútua que resultou numa colaboração mais alargada de todos no Festival, participando não só na exposição fotográfica como também noutras tarefas de produção, ajudando toda a equipa em momentos vários. Deu-se dessa forma início a uma relação mais próxima e efectiva com os homens que pernoitam no Albergue, manifestando-se um forte potencial humano preparado para integrar novos desafios. Assim, quando a Fundação Calouste Gulbenkian abriu as candidaturas ao Programa PARTIS, a ideia de criar um projecto com este grupo foi de imediato posta em marcha.

Em Fevereiro de 2014, o Margens ganhou forma e assume-se também como projecto-satélite do Festival TODOS. Durante quatro meses, em vários ateliês realizados a partir da Casa dos Mundos (Rua Nova da Piedade, 66, São Bento – Lisboa), preparou-se o terreno para a experiência de criação através de um programa de formação intensivo em áreas tão diversas como o teatro, a dança, a música, o cinema, a escrita e a Língua Portuguesa. Após essa primeira fase, desde Maio de 2014, o projecto entra numa segunda parte; há a necessidade de começar a aplicar na prática tudo aquilo que foi sendo trabalhado e desenvolvido ao longo do período de formação. Começa-se assim a trabalhar as competências específicas de cada um dos homens integrantes deste projecto. É chegada a hora de potenciar a criatividade e a capacidade de trabalho de cada um. Descobrem-se hipóteses de reciclar materiais diversos de forma a produzir objectos de qualidade estética e funcional para serem vendidos ao público antes do Festival e durante o Festival: tapetes de tamanhos, feitios e padrões diversos, feitos com rolhas de cortiça; papel e envelopes reciclados a partir de papel de desperdício que se transformam em cartas de amor; chapéus de fino papel que são também candeeiros, abajures que, na cabeça, iluminam as nossas ideias…

Na 6.ª edição do Festival TODOS (12, 13 e 14 de Setembro de 2014), o Margens desaguou assim em propostas artísticas diversas, entrando na sua última etapa. Além de criar para o Festival estes objectos para venda ao público, o grupo apresenta uma instalação ao ar livre – A Sala, realizada com o cenógrafo João Calixto. Esta instalação é o resultado de um caminho de criação colectiva de objectos utilitários, baseados em objectos pré-existentes, tais como partes de mobiliário que se tornam numa SALA a céu aberto, feita por um novo mobiliário para ser habitada pelo público no jardim da Assembleia da República. O Margens apresentou ainda, no Festival, a performance SILOS DE CARROS E ESTRADAS GIRATÓRIAS, uma instalação performativa de Vânia Rovisco e Projecto Margens – que nos coloca na situação de sermos como notas dissonantes, em que as camadas / efeitos de acontecimentos vários se começam a fundir num som inteiro; a narrativa dissipa-se num efeito acumulativo, como um silo de carros cheios de acções.

É objectivo e convicção do Projecto Margens, através do pensamento artístico e das suas práticas, o desenvolvimento pessoal e social através do saber, em sintonia com as entidades públicas e privadas envolvidas, numa real integração social. A esta meta pretende-se chegar pelo caminho da descoberta do que cada um sabe e pode realizar, criando-se uma base de dados com as competências individuais de cada membro deste grupo. É dessa forma que se identifica o gosto por certas actividades que, num futuro próximo, irão completar-se com uma formação mais aprofundada ou com uma prática de estágio em instituições e/ou empresas. A progressiva responsabilização do grupo, e também de cada um individualmente, passa pelo assumir de tarefas que, por estarem ligadas às matérias da formação e da criação, começam a ganhar um efectivo sentido prático em comunicação com o exterior. A construção de um sentido de realização pessoal e profissional potenciará a criação de oportunidades e o alargamento de horizontes culturais, fortalecendo as possibilidades de inclusão social destes homens. Só assim se conseguirá a obtenção do objectivo último do Margens: a inserção do maior número possível de homens em projectos e actividades de entidades dentro e fora do bairro. Tendencialmente, actividades profissionais que possibilitem a reabilitação pessoal e a autonomização social.

No fundo, conseguir que todos vivam a sua cidadania de forma plena, com direitos e deveres que permitam alcançar o que todos queremos ser… – felizes.

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